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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

adotar não é pegar pra criar


Olá queridas mamães,

Desculpe o sumiço.

A partir de hoje, pretendo ampliar os assuntos deste blog. Além de falar do desenvolvimento da Ana, vou tentar fazer postagens sobre diversos assuntos que envolvam filhos.

O tema que vou tratar hoje é a adoção.





Ontem vi uma notícia na TV que mecheu muito comigo, dizia que mais de 8 milhões de crianças, em todo o mundo, vivem em Instituições. Se não fosse o amor dos meus pais adotivos eu poderia ter feito parte desta triste estatística.



Vários motivos levam as crianças às Instiuições ,entre eles, problemas familiares, desestrutura da mãe, por terem algum tipo de deficiência , violência e pobreza.


Existe uma grande fila de pessoas dispostas a adotar, mas a grande questão é que a maioria das crianças abrigadas fogem do "padrão" , ou seja, boa parte dos abrigados é formada por grupos de irmãos, crianças soropositivas e crianças com necessidades especiais. Leve-se ainda em consideração que a maioria das pessoas preferem bebês menores de 01 ano.


Adotar é um gesto de amor. Mais ainda do que gerar um filho, pois você vai tornar filho uma criança ou adolescente que nasceu de outra pessoa. E para esta criança ou adolescente é a grande oportunidade de ter uma família, de ser cuidada e amada.


Esta é a grande diferença que quero chamar a atenção aqui. Adotar não é pegar pra criar, não se adota por pena, por caridade ou para pagar os próprios pecados. Se adota por amor!

A criança adotada deve ter os mesmos os direitos e deveres que são garantidos aos filhos biológicos. Já vi muitos casos de famílias que pegam, por exemplo, aquela menina negra pra criar e fazem dela a empregada da casa, humilham, não lhe dão garantias e respeito. E além do mais este ato pode ser considerado ilegal. Pois o ato de adotar uma criança precisa ser feito dentro dos preceitos da legalidade, que existe desde 1916, no Código Civil Brasileiro, quando o assunto foi tratado pela primeira vez. De lá para cá, várias outras leis surgiram e em 1990, com a aprovação do Estatuto da Criançã e Adolescente (ECA), o processo de adoção foi facilitado.

No Brasil, adotar uma criança já foi um processo muito mais longo, burocrático e estressante. No meu caso, o meu processo chegou a sumir no Forum e somente foi concluído quando eu tinha 18 anos!!! Antes disto, meus pais apenas detinham a minha guarda, mas eu não tinha qualquer garantia, pois para a Lei não era reconhecida como filha.

Hoje, com o apoio da legislação e o advento dos Juizados da Infância e da Juventude, está muito mais fácil e rápido adotar um filho. Isto claro, se os futuros pais não se prenderem a padrões e exigências.





Quais são os requesitos para adotar um filho?


As normas gerais de adoção no Brasil são estabelecidas, principalmente pelo Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA e podem ser assim resumidas:


- A pessoa a ser adotada deve ter no máximo 18 anos de idade, a não ser que já conviva com o adotante (pessoa que o adotará).


- A idade mínima dos candidatos à adotantes é de 21 anos.


- Diferença de idade mínima entre o adotante e o adotado é de 16 anos.


- Ascendentes (avós, bisavós) e descendentes (filhos, netos) não podem adotar seus parentes.


- Não importa o estado civil do adotante.


- A adoção requer a concordância dos pais biológicos, salvo em caso de paternidade desconhecida ou quando estes tiverem perdido o pátrio poder.


- A adoção de adolescente maior de 12 também necessita da concordância deste.


- Antes de concretizada a adoção é necessário fazer um estágio de convivência entre adotando e adotante. Isso é dispensado quando a criança é menor de um ano ou quando já mora com o adotante.



Preenchidos estes requisitos básicos o primeiro grande passo que todo candidato a adotante é procurar o Juizado da Infância e da Juventude mais próximo de sua casa para fazer um Cadastro de Pretendentes para Adoção. Você deverá apresentar documentos, passar por entrevistas, escolher o perfil da criança e aguardar surgir a criança desejada. Meninas recém-nascidas, loiras, com olhos azuis e saúde perfeita – a maioria dos pedidos – podem demorar até cinco anos!







Para mim, o passo mais importante para quem pretende adotar uma criança é se informar, rever os seus conceitos e "pré-conceitos", não se prender tanto em padrões, enfim, abrir a mente e o coração.


Beijos e fiquem com Deus!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Adoção



Estou participando da blogagem coletiva sobre adoção. Este é um assunto muito presente na minha vida.


Não, minha filha não é adotada. Eu a gerei, pari, com ela tenho o tal " laço de sangue".

Este ato nobre partiu de meus pais. Minha mãe adotiva se casou com trinta anos, depois de muitas tentativas, descobriu-se que ela não podia ter filhos. Mas a solução estava a caminho...

Minha mãe biológica convidou o casal, hoje meus pais adotivos, para serem meus padrinhos. Como ela passava por muitas dificuldades, era mãe solteira , então meus padrinhos conversaram com ela e propuseram cuidar de mim, e ela poderia continuar me vendo. Assim foi por um tempo, mas as visitas dela foram só espaçando até que ela sumiu no mundo. Nunca mais se ouviu falar dela e eu ainda era um bebê de colo. Meus pais pegaram a minha guarda, e assim foi até os meus 18 anos. Eu os considerava e amava como meus pais, mas na minha certidão de nascimento constava o nome de minha mãe biológica e no lugar do nome do pai um espaço em branco. Eu fiquei sabendo cedo que não era filha de sangue, com 9 anos. Engraçado é que eu já sentia isto muito antes. Quando minha mãe me contou não foi nenhuma novidade para mim. Recebi a notícia calmamente e continuei brincando. Eu me sentia tão segura e amada!!


Minha mãe morria de medo de me perder. A minha mãe biológica sumiu, mas acho que minha mãe temia que ela voltasse a qualquer momento e me levasse embora. Hoje fico imaginando o sofrimento dela! Quando completei 18 anos e precisei tirar todos os meus documentos por causa do vestibular, meus pais resolveream regularizar minha situação e partir para a adoção. Minha mãe biológica tinha realmente desaparecido, eu já convivia com eles há bastante tempo e nem me lembrava mais do rosto da minha mãe verdadeira, diante disto tudo a juíza decretou que a mãe biológica havia perdido o " pátrio poder" (não esqueço esta expressão!) e o caminho para regularizar a adoção foi mais curto. Com 18 anos eu acrescentei o sobrenome dos meus pais adotivos, tirei outra certidão de nascimento e isto foi motivo de muita emoção e orgulho para mim! Eu havia nascido de novo!!


A relação dos meus pais comigo sempre foi super carinhosa e verdadeira, eu me considerava da família e nunca sofri discriminação por causa disto. Eu recebi muito amor, meus pais me deram tudo que eu precisava e mais um pouco, a adoção foi uma experiência muito tranquila para mim e só enriquece minha história de vida. Como qualquer relação de pais e filhos teve seus momentos bons e seus percalços também.


Gostaria de frisar que existe uma grande diferença entre adotar uma criança e " pegar para criar". Adotar uma criança implica em todas as responsabilidades que a criação de uma criança exige: amor, educação, alimentação, cultura; adotar uma criança é recebê-la no seio de sua família, como uma igual, com todos os direitos e deveres, sem qualquer diferenciação ou ato discriminatório. Uma criança adotada não tem o laço de sangue, mas tem o laço do coração, que muitas vezes é mais forte e une para toda a vida.


Eu penso em adotar? Sim, sempre pensei. Adotar como uma forma de agradecer o que a vida me proporcionou, dando esta mesma oportunidade para alguém. Está em meus planos adotar uma criança, mas só vou colocar em prática este ato se eu tiver certeza que poderei proporcionar para esta criança as mesmas oportunidades que darei para minha filha de sangue. No momento a questão financeira está me limitando bastante, infelizmente.
Adotar uma criança é um gesto nobre e enriquecedor,e tem que ser muito bem planejado e preparado, às vezes esta preparação dura bem mais que os nove meses de gestação!
No meu caso, durou 18 anos!! E sempre vale a pena!!