Observei que minha filha aprendeu a falar a palavra medo, e a associá-la a várias coisas.
Ela tem medo de cachorro, de música alta, de um personagem que aparece no DVD da XUXA (tem uns que causam medo mesmo, rs) , medo de carro, medo de barulho de motocicleta. Com o desenvolvimento rápido de sua linguagem ela já consegue nomear direitinho seus medos.
Se ela está comigo na sala e começa a abertura da novela das 08:00 ( A Favorita) ela corre para o meu colo e fala: " Ai, tô com medo da música!"
Se ela está no quintal e escuta o latido de um cachorro, ela corre para dentro de casa: " Tô com medo do cachorro!"
Fico pensando como este sentimento surge nela. Pela pouca experiência de educadora que tive, e pelas minhas leituras, sei que não devemos menosprezar ou ridicularizar o medo das crianças, aliás, não devemos fazer isto com nenhum de seus sentimentos. O melhor caminho é o diálogo e o respeito. E não devemos usar o medo da criança na negociação de alguma coisa, tipo, se você não fizer isto o homem do saco vai te pegar. Tá, tem momentos que fazemos isto, mas não devemos.
O medo não é um sentimento totalmente descartável, pelo contrário, em alguns momentos ele é necessário. O medo de animais por exemplo, pode proteger a criança de situações perigosas. Temos que ficar atentos é quanto a medida deste sentimento, de forma que ele não afete negativamente sua rotina e seu desenvolvimento.
O medo vai estar presente em várias fases da vida da criança, com várias " caras". E tenho reparado que neste mundo tão violento que estamos vivendo, outros medos " mais reais" estão surgindo entre as crianças: medo de sair de casa , medo de bala perdida, medo de sequestro, medos esses que muitas vezes os pais também têm. Com um mundo deste, quem vai ter medo de bruxa, né?
Estou falando tudo isto porque estou preocupada em como administrar esses medos da minha filha dentro da melhor medida possível, para que ela não se torne insegura demais e nem inconsequente demais. Não é uma das tarefas mais fáceis, acredito que o melhor caminho seja o diálogo, buscando esclarecer as dúvidas de nossas crianças.
Em relação ao medo de cachorro, falo para ela que se a mamãe estiver por perto, ela não precisa ter medo, mas só deve chegar perto se a mamãe deixar, porque o cachorro pode morder mesmo. E agora quando vê um cachorro ela logo olha para mim. Em várias outras situações procuro mostrar que seu medo não é " bobo", ele tem uma razão de ser, mas que ela está segura e não precisa se preocupar tanto, procuro desfazer o medo na cabecinha dela.
Gostaria de poder contribuir para que ela domine seus medos , medinhos e medões, e que não tenha vergonha de falar deles. E você, o que você acha e como age em relação aos medos de seus filhos?
