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quarta-feira, 9 de abril de 2008

Sobre a Ana

Oi pessoal. Hoje vou falar exclusivamente sobre minha filha. Faz tempo que não conto as novidades dela. Ana está crescendo a olhos vistos. Está uma criança muito esperta e comunicativa (palavras da professora dela). Ela fala pelos cotovelos, repete tudo que dissemos (pelo menos o final das frases). Adora cantar as musiquinhas que ensinamos a ela, fazendo os gestos da música. Já consegue assistir alguns desenhos pela TV, junto com o pai dela. Mas fica pouco tempo, no máximo uns dez minutos. Em casa ela chama os coleguinhas da escola o dia inteiro: " Raíssa!" "Gabiel!" "Maiara"! "Lucas"! Sabe o nome e reconhece todos! Despede-se das pessoas dando tchauzinho, mandando beijos e falando: "Com Deus!" (porque sempre dizemos: fica com Deus!") É lindo ela falando: "Com Deus, vovó!" "Com Deus, papai!" Ela adora brincar com as bonecas, carrega no colo, dá comidinha na boca, embrulha dizendo: "tá fio!" Nina as boneca para dormir. Enfim, tudo que fazemos com ela imita fazendo com as suas bonecas. Ah, gente, são muitas coisas bonitinhas, que vão acontecendo no dia a dia e nos fazendo ficar mais encantados com ela. Percebemos como é observadora, inteligente, carinhosa. Deixando a corujice de lado, claro que tem os momentos das birras, manhas, berros, já que ela está na famosa "fase difícil", né? Uma nova malcriação que ela aprendeu é chamar todo mundo de "bobo" quando é contrariada. Não sei onde ela aprendeu isto, pois nunca usamos qualquer palavra para xingá-la, aliás sou terminantemente contra isto, ficar xingando a criança de boba, chata, feia... estas coisas. Chamo a atenção para o ato errado, mas nunca para a criança. Já falei com ela que não pode chamar papai ou mamãe de "bobo", sem dar muita importância à isto. Vou dar uma dica: não valorizem muito certas coisas que os filhos fazem, chamem a atenção, conversem, mas sem "fazer drama". Assim, a atitude ou palavra deixa de ser interessante para eles. Quem me ensinou isto foi a psicóloga. Ás vezes os pais fazem um escarcéu com determinada atitude ou palavra da criança que aquilo vira uma "arma" para a criança. Claro, né? Ela percebeu que chamou a atenção com aquilo, e criança é muito esperta! Por falar em psicóloga. Não estou mais levando a Ana às consultas. Ah, gente. Sinto muito. Estava muito difícil, o consultório é longe (eu tinha que pegar 02 ônibus), o horário estava difícil (tinha que faltar ao trabalho na parte da manhã 01 vez por semana). Sabe, um dia perguntei diretamente à psicólogia se se ela via algum problema mais sério nas atitudes da Ana (a questão de, ás vezes, ela chorar desesperamente, se descontrolar). Ela respondeu que a Ana era uma criança temperamental, mas perfeitamente normal, sem qualquer distúrbio de personalidade ou emocional. Então fiquei pensando sobre isto a semana inteira. Avaliei que manter estas consultas semanais estava se tornando difícil e no fundo eu achava que o momento não estava apropriado. Ana, por ser tão novinha, não podia expressar seus sentimentos com palavras, dizer o que sentia, ficávamos eu, às vezes o pai, e a psicóloga falando sobre ela, a observando, fazendo conjecturas, e ela simplesmente interessada em brincar. Ora, se a principal interessada não tinha (ainda) capacidade de se expressar, dizer o que sentia, não achei justo continuar. Resolvi dar tempo ao tempo e tentar, com acertos e erros, como toda mãe, entender minha filha. Se fosse uma questão de vida ou morte, ou se houvesse sido detectado um distúbio emocional muito sério, eu não ia me fazer de rogada, iria até o fim do mundo para ajudar minha filha. Mas não era o caso, Ana está muito bem. E não achei que as consultas estavam fazendo tanto efeito sobre ela (estava fazendo mais sobre a mãe, rs). Então vamos seguir em frente, com muita paciência e carinho. É o melhor que posso fazer por ela.

terça-feira, 11 de março de 2008

2ª consulta com a psicóloga

Como já mencionei em um post anterior, hoje levamos Ana Olívia na consulta com a psicóloga. Ela se comportou de forma tranquila, foi se aproximando devagar da doutora, observando o ambiente. Havia alguns brinquedos pela sala, colocados propositalmente pela Drª Regina. Ela conversou conosco e com a Ana. A Ana demonstrou muita curiosidade por tudo. Até então estava tudo calmo e eu já pensando que a psicóloga devia estar intrigada, tentando achar algum problema naquela menininha tão comportada... mas... aí tive que trocar a fralda da Ana, pedi licença à psicóloga para trocar ali mesmo, no "divã", afinal era só xixi. Então veio a reação explosiva da Ana e a crise de choro que tanto falei. Ela gritou, chorou de sair lágrimas nos olhos, esperneou, quis arrancar a fralda, depois não quis vestir a sainha, um show!! É claro que não fiquei feliz, mas foi bom ter acontecido isto para a psicóloga poder observar o comportamento dela. A primeira "dica" que ela me deu foi de ser mais firme com ela, ela me achou muito "mole" (ho, ho, ho). Ela disse que eu estava explicando demais as coisas pra ela e valorizando o choro. Em coisas assim, realmente rotineiras e necessárias, como troca de fraldas, comer, dormir, não deixar mexer em algo perigoso, é preciso ser firme e sem maiores explicações. Faça o que tem que ser feito bem rápido e pronto, distraia a criança com outra coisa. Eu realmente já notei que sou muito mole com a Ana, mesmo fazendo cara feia e xingando eu não consigo fazer com que ela me atenda, fico falando demais, justificando demais... Vou mudar de atitude já! Na próxima entrevista a psicóloga quer ficar sozinha com a Ana dentro do consultório... como a Ana regirá? Só sei que estas consultas já estão sendo muito proveitosas...

quarta-feira, 5 de março de 2008

A entrevista com a psicóloga

Ontem fomos à consulta com a psicóloga infantil. Nesta primeira fase ela conversou apenas comigo e com o meu marido. Relatamos o que vem ocorrendo com a Ana (pra variar, acho que falei pelos cotovelos, rs) sobre os choros e birras intermináveis, as noites mal dormidas, a dificuldade que estou tendo em impor limites a ela. Gostei muito da entrevista e da psicóloga, que me pareceu uma profissional bem experiente. Engraçado, é muito diferente quando você expõe um problema a uma pessoa preparada para te ajudar, é mais reconfortante, você sente mais confiança. Já nesta primeira conversa, a psicóloga me falou uma coisa que mexeu muito comigo e me fez "rever conceitos". Foi o seguinte: durante a entrevista eu havia comentado com ela que eu sou filha única, e que não havia gostado nada desta experiência. Então, eu pensava em ter outro filho para a Ana não se sentir sozinha e não passar pelas coisas que passei. Mas que a questão financeira e a minha idade pesava muito na minha decisão e me fazia ter dúvida em relação a isto, e isto me angustiava. Ela olhou para mim e disse mais ou menos isso: "Isabel, a decisão de ter um filho tem que ser baseada em uma vontade sua, verdadeira. Você não precisa ter um filho porque quer dar um irmão para sua filha, para ela não ser filha única também. Você pode criá-la de uma maneira diferente para que não se repita com ela as suas experiências negativas, e assim talvez esta experiência de ser filha única, para sua filha, seja mais tranquila". Nossa, nunca havia pensado na questão por este ângulo. Realmente eu me preocupo em ter outro filho só para a Ana não ser filha única e passar pelas experiências que passei. Olha, essa psicóloga ganhou muitos pontos comigo, vocês não acham que ela foi no ponto certo?

Agora só para esclarecer, porque ser filha única, para mim, foi ruim? Claro que teve pontos positivos, mas acho que minha mãe pesou a mão no excesso de cuidados, de proteção, também no excesso de cobranças e críticas. Enfim, tudo para mim era redobrado, dos cuidados às críticas também. O resultado disso é que eu fiquei egocêntrica,egoísta, insegura, era muito ingênua. Então, quando fui para "o mundo" não estava preparada, devido à extrema proteção, e o "bicho pegou" para o meu lado, pois a realidade da vida é bem dura, né pessoal? Então eu sofri muito. O meu processo de amadurecimento foi demoraaaaadoooo! Hoje, com o amadurecimento, não culpo mais minha mãe , eu sei que ela fez o que achava melhor, mas não quero repetir isto com minha filha. A psicóloga, com algumas poucas palavras, me fez entender que a solução não é eu dar mais um irmão para minha filha, mas eu buscar criá-la de uma forma diferente da minha mãe, pelos menos naqueles aspectos que achei que me prejudicaram.

Enfim, na entrevista da próxima terça-feira vamos levar a Ana Olívia, para a psicóloga continuar com sua análise.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Consulta com a psicóloga

Gente, muito obrigada pelos comentários desejando sorte no empreendimento do meu maridão! Vocês são fofas!!

Amanhã é a consulta com a psicóloga. Nesta primeira consulta a Aninha não irá, iremos só eu e meu marido, a primeira conversa é com os pais. Quando liguei marcando a consulta, a própria psicóloga atendeu o telefone (achei inusitado) e ela foi super simpática e receptiva. Enfim, minha primeira impressão foi muito boa. E não é que a Ana está mais calminha? Foi só tomar as providências... ela está dormindo muito bem e não está tendo tantas crises... mas elas ainda ocorrem. Por isso vou manter a consulta e levar minhas dúvidas para a psicóloga.

Depois conto tudo para vocês!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Notícias da consulta

Bom gente, está tudo muito bem com a Ana, pelo menos fisicamente. Ela está com 11 quilos, eu acho magrinha mas o pediatra disse que o peso está ótimo. Dr. Job pediu os exames de rotina para sangue, urina e fezes. Conversei muito com ele a respeito das crises de choro e "impaciência" da Ana, que ele afinal pôde constatar com os próprios olhos, pois a Ana aprontou um escândalo durante a consulta, não deixando que ele a examinasse. Eu gosto muito deste pediatra, ele me tranquiliza muito. Falou que ela é uma menina muito ativa e esperta, está bem de saúde, mas para minha tranquilidade e para o bem estar dela achou melhor indicar sim uma avaliação com um psicólogo infantil. Ele disse que neurologicamente ela não apresenta nenhum problema, ou seja, ela nunca ficou em CTI, apresentou problemas no parto, falta de oxigenação no cérebro, ou qualquer outro problema neurológico que pudesse afetar seu comportamento (foi o que entendi) Esse comportamento tão instável e ansioso tem a ver com alguma questão emocional, pode ter origem nela ou no modo como lidamos com ela. Enfim, ele disse que eu ficasse tranquila, que o psicólogo com certeza vai conversar muito comigo e com o pai, observar o comportamento dela e me orientar para saber como agir durante as "crises" de choro e ansiedade. Ele disse exatamente o que eu pressentia. Que a Ana não vai precisar de tratamento, de fazer várias sessões, até pela pouca idade dela, mas que uma boa conversa e algumas orientações da psicologia poderão me ajudar a lidar melhor com ela. Saí de lá muito tranquila e com o pedido de atendimento psicológico em mãos. O stress veio no momento de ir ao escritório do convênio pedir a autorização para a consulta. Eles me informaram que o pedido estava incompleto, que na solicitação do médico devia constar o motivo do pedido. Oras, quem saberá o motivo é o psicólogo, argumentei. O médico está solicitando somente uma avaliação, a psicologia é quem vai definir a necessidade de tratamento ou não. É claro que não adiantou meus argumentos. Hoje tive que voltar ao pediatra e pedir que ele refizesse o pedido. Ele mesmo achou isto questionável e usou os mesmos argumentos comigo. Mas com muita boa vontade fez outro pedido, colocando as justificativas. Puxa vida, como é difícil ter plano de saúde e ter acesso a todos os serviços que você precisa. Existe uma lei obrigando todos os planos de saúde a incluírem em seus serviços atendimento psicológico. Mas até que ela seja implementada, temos que aguentar toda esta burocracia! Bem, mas vou conseguir esta consulta para minha filha, nem que eu tenha que denunciar o convênio junto a ANS. Beijos

P.S. Ei pessoal, não fiquem com preguiça de comentar... ou será que ninguém me visita? (snif, snif)

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Desabafo de mãe

Definitivamente, eu preciso de ajuda. Estou esgotada hoje, muito aflita e tristonha. E preciso ajudar minha filha. O comportamento de Ana não pode ser normal. Ontem ela chegou em casa bem, brincou, tomou banho, tomou a mamadeira e foi dormir. Porém, às 02:00 horas da manhã ela acordou chorando. E eu, pingando de sono, fui buscá-la no quarto. Tentei deitar com ela na minha cama, ela esperneou, mas eu estava muito cansada, queria dormir. Ralhei com ela para ela deitar comigo e dormir, e ela chorava cada vez mais. Levantei, ofereci água, fiz outra mamadeira, ofereci. Nada. Tentei fazê-la dormir e ela só choramingando. Então liguei o DVD e deixei ela assistir cocoricó e me deitei do lado dela. Ela se acalmou com o DVD e ficou assistindo. Cochilei. Acordei com ela subindo em mim e chorando. O Cocoricó havia terminado. Desliguei o DVD e tentei fazê-la dormir. Ela chorou e berrou desesperadamente. Fiquei andando com ela pela casa, e ela nada de dormir, era só eu deitar com ela para ela cair no berreiro. Olhei as horas, 04:00 horas da manhã! Desde as 02 horas estávamos nesta luta, eu, meu marido e Ana. Coloquei ela no colo e fiquei andando pela casa, embalando ela nos braços. Só assim ela conseguiu pegar no sono. Mesmo assim, quando a coloquei no berço ela choramingou. Fiquei um pouco ao lado do berço e ela sossegou. Fui para o quarto me deitar. Do meu quarto ouvi quando ela começou a choramingar. Mas fiquei quieta, só escutando. Isso durou até amanhecer, eu não dormi direito, porque a Ana, mesmo dormindo, ficava gemendo, querendo chorar. Fiquei pensando se ela estava sentindo alguma dor, mas não havia sinais para isto, febre ela não tinha, estava alimentada... Finalmente amanheceu. Levantei, e comecei a me arrumar para o trabalho enquanto ela dormia. Fui ao quarto e a despertei, para trocar de roupa, mamar e ir para a creche. Ela já levantou chorosa. Esquentei a mamadeira que havia preparado de madrugada e ela tomou tudo. Quando fui trocar a fralda, ela não deixou de jeito nenhum. Resumindo, de manhã ela aprontou outro escândalo, não quis colocar a roupa para a ir para a escola, não quis colocar sapato, nada. É só berrava. Eu estava um caco! Sem entender nada. E não era choro seco não, é choro com lágrimas, muitas lágrimas. E quando eu a colocava no colo ela fungava, parecendo estar muito sentida. Nem quando ela era pequenininha e tinha cólicas eu tive uma noite tão ruim. Ana Olívia está muito instável e nervosa. O que me intriga é o comportamento dúbio que falei no post anterior. Na escola ela fica super bem. Porque comigo é este stress?? Liguei o Cocoricó de novo, ela se distraiu e acalmou um pouco, consegui trocar a fralda e colocar a roupa. O sapato ela não deixou. Saímos mesmo assim. Antes de sair meu marido me acoselhou (praticamente implorou) para eu procurar um psicólogo pelo plano de saúde. Eu estou concordando com ele, não podemos continuar assim. Eu não suporto mais esta situação. E acho que uma consulta iria ajudar não só a ela, principalmente a mim. Acredito que o psicólogo poderá me dar uma orientação de como agir com ela, como ajudá-la a se controlar. Saí para trabalhar arrasada. Deixei ela na escola, por sinal ela ficou super bem, de longe eu observava como ela estava tranquila com as professoras e colegas, e só consegui chorar. O que há de errado?? O pior é que quando ela fica assim, estou perdendo a paciência, brigo com ela (nunca bato) tento ser compreensiva, mas não está dando. Sou mãe, mas sou humana. E li em algum lugar que ninguém consegue ser boa mãe às 02 horas da madrugada. E fico com aquela sensação de ter agido errado, me sentindo culpada por ter perdido a paciência... Definitivamente, preciso de ajuda. Vou pesquisar no meu convênio a possibilidade de buscar uma ajuda psicológica.

P.S. Desculpem este "post desabafo" tão longo.Escrevi como uma metralhadora e coloquei tudo o que estou sentindo hoje.